FRANCÊS E AMERICANO GANHAM NOBEL DE FÍSICA DE 2012

Serge Haroche (esquerda) e David J. Wineland (Foto: Colllège de France e NIST/Divulgação)

O Prêmio Nobel de Física de 2012 foi oferecido nesta terça-feira (9) ao francês Serge Haroche e ao americano David J. Wineland, ambos de 68 anos, por seus trabalhos com “inovadores métodos experimentais que permitem medição e manipulação de sistemas quânticos individuais”.

Eles desenvolveram formas de medir partículas quânticas (de escala minúscula) sem destruí-las, algo que antes parecia inatingível. Os premiados foram escolhidos pela Academia Real de Ciências da Suécia, que concedeu a eles um prêmio de 8 milhões de coroas suecas (US$ 1,2 milhão).

“Eles abriram a porta para uma nova era de experimentação em física quântica”, declarou a Academia Real em nota.

“Para partículas individuais de luz ou matéria, as leis da física clássica deixam de se aplicar e assume a física quântica. Mas as partículas individuais não são facilmente isoladas do seu meio e elas perdem suas misteriosas propriedades quânticas, assim que interagem com o mundo exterior. Assim, muitos fenômenos aparentemente bizarros previstos pela física quântica não podiam ser diretamente observados”, explicou a academia.

Através de seus métodos de laboratório, Haroche e Wineland, juntamente com seus grupos de pesquisa, conseguiram medir e controlar estados quânticos muito frágeis, antes inacessíveis para observação direta. Esses novos métodos lhes permitem analisar, controlar e contar as partículas.

Embora desenvolvidos independentemente, seus métodos têm muitas coisas em comum. David Wineland prendeu átomos eletricamente carregados – ou íons – em “armadilhas”, controlando-os e medindo-os com a luz (fótons). Serge Haroche fez o caminho inverso: ele controla e mede fótons aprisionados através do envio de átomos por uma “armadilha”.

Ambos trabalham no campo da óptica quântica e estudam a interação fundamental entre a luz e a matéria, área que tem progredido consideravelmente desde meados da década de 1980. Para a instituição sueca, seus inovadores métodos permitiram a esse tipo de pesquisa a dar os primeiros passos para a construção de um novo tipo de computador superrápido, com base na física quântica.

A pesquisa também levou à construção de relógios extremamente precisos que poderiam se tornar a base para um novo padrão de tempo, com mais de cem vezes maior precisão do que os relógios atuais de césio.

Biografias
Haroche, nascido em Casablanca (Marrocos) em 1944, estava na rua passeando com sua mulher quando recebeu a notícia do prêmio por telefone.

“Por sorte passava perto de um banco e pude me sentar. Quando vi o prefixo 46 (o da Suécia) me dei conta que era real”, disse Haroche ao ser contatado por telefone ao vivo durante a entrevista coletiva posterior ao anúncio dos vencedores. “Não esperava. É uma surpresa maravilhosa”, garantiu.

A principal área de pesquisa de Haroche está no âmbito da ótica quântica e das ciências de informação quântica, diz seu perfil oficial, postado no site do College de France, o centro de estudos de Paris onde trabalha.

Haroche se formou na Escola Normal Superior (ENS), fez doutorado em 1971 e quatro anos mais tarde começou a dar aulas na Universidade Paris VI, onde se manteve até 2001, quando foi nomeado catedrático de Física Quântica no College de France.

O físico francês, casado e com dois filhos, desempenhou também seu trabalho docente, entre outras, nas prestigiadas universidades americanas de Harvard e Yale, e é membro da Academia Francesa das Ciências e membro estrangeiro da Academia Nacional das Ciências dos Estados Unidos.

Haroche já recebeu diversos prêmios, entre eles o Grande Prêmio Jean Ricard da Sociedade Francesa de Física (1983), o Prêmio Einstein às Ciências do Laser (1988), a medalha de ouro do Centro Nacional da Pesquisa Científica (2009) e o Herbert Walter da Sociedade Física Alemã. Em 2009 recebeu uma bolsa de estudos de pesquisa avançada por cinco anos do Conselho Europeu de Pesquisa (ERC).

O americano Wineland, por sua vez, nasceu na cidade de Milwaukee (Wisconsin), também em 1944, e desenvolve sua atividade profissional no Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) de Boulder (Colorado). Wineland se graduou na Universidade de Berkeley (Califórnia) em 1965 e fez doutorado cinco anos mais tarde, na Universidade de Harvard.

Em 1975 entrou no Escritório Nacional de Padrões, que depois passaria a denominar-se NIST, onde começou a trabalhar dentro do grupo de armazenamento iônico. O cientista americano é membro da Sociedade Americana de Físicas, da Sociedade Americana de Ótica, e pertence desde 1992 à Academia Nacional das Ciências dos Estados Unidos.

Wineland recebeu, entre outros, o Einstein às Ciências do Laser (1996), a medalha nacional das Ciências em Físicas (2007), o Herbert Walther (2008) e a medalha Benjamin Franklin em Física (2010), junto com Peter Zoller e o espanhol Juan Ignacio Cirac.

História do prêmio
Desde 1901, o Nobel de Física foi concedido a 192 pessoas em 105 premiações. O mais jovem a ser premiado foi Lawrence Bragg, que em 1915, quando ganhou, tinha apenas 25 anos. Ele é o mais jovem ganhador de qualquer Nobel, não apenas de física. O mais velho ganhador do de física é Raymond Davis Junior, que tinha 88 anos quando levou o prêmio, em 2002. John bardeen foi o único físico a receber o prêmio duas vezes – uma vez por seu trabalho com semicondutores e outra por sua pesquisa com supercondutividade. Em mais de um século de premiações, apenas duas mulheres ganharam o Nobel de Física.

Últimos ganhadores
Confira abaixo os últimos ganhadores do Nobel de Física:

2011: Saul Perlmutter e Adam Riess (Estados Unidos) e Brian Schmidt (Austrália/Estados Unidos)

2010: Andre Geim (Países-Baixos), Konstantin Novoselov (Rússia/Grã-Bretanha)

2009: Charles Kao (Estados Unidos/Grã-Bretanha), Willard Boyle (Estados Unidos/Canadá), George Smith (Estados Unidos)

2008: Yoichiro Nambu (Estados Unidos), Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa (Japão)

2007: Albert Fert (França) e Peter Grünberg (Alemanha)

2006: John C. Mather (Estados Unidos) e George F. Smoot (Estados Unidos)

2005: Roy J. Glauber (Estados Unidos), John L. Hall (Estados Unidos) e Theodor W. H¤nsch (Alemanha)

2004: David J. Gross, H. David Politzer e Frank Wilczek (Estados Unidos)

2003: Alexei A. Abrikosov (Rússia/Estados Unidos), Vitaly Ginzburg (Rússia) e Antony J. Leggett (Grã-Bretanha/Estados Unidos)

2002: Raymond Davis Jr (Estados Unidos), Masatoshi Koshiba (Japão), e Riccardo Giacconi (Estados Unidos)

Fonte: Globo.com

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