UNIVERSIDADES BRITÂNICAS ENSINAM DE GRAÇA VIRTUALMENTE

Professores universitários britânicos começarão em breve a dar, de graça, aulas virtuais para milhares de estudantes de todas as partes do mundo. A ação faz parte do esforço do Reino Unido para alcançar os Estados Unidos no ensino on-line aberto. A Open University (OU), com cursos a distância, está liderando uma parceria com dez universidades britânicas que incluem a Exeter, Bristol, Leeds, St. Andrews e Southampton, na trilha do sucesso alcançado por instituições americanas bastante conhecidas.

A iniciativa, chamada FutureLearn, será controlada integralmente pela OU e lançada por Simon Nelson, um ex-chefe da área digital da BBC Television. Nesta função, ele ajudou a lançar o serviço da televisão e rádio “on-demand” da emissora, o iPlayer. Este ano, as universidades do Texas, Georgetown e Berkeley uniram-se à EdX, uma instituição sem fins lucrativos estabelecida pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Harvard. Já a Coursera, criada por dois cientistas da computação da Stanford, tem 33 instituições associadas e 2 milhões de usuários.

Martin Bean, vice-presidente da Open University já descreveu esse movimento súbito como o “momento Napster” do ensino superior, referindo-se à revolução que o compartilhamento de arquivos pela internet no começo dos anos 2000 representou para a indústria da música. “Haverá conteúdo baseado em aulas, em que você vai aprender diretamente com os professores. Haverá exames, avaliações e interação entre alunos”, afirma Bean.

David Willetts, ministro das Universidades e da Ciência do Reino Unido, elogiou a inovação, afirmando que, com ela, o “Reino Unido poderá ampliar o acesso ao ensino superior e atender a demanda mundial. Isso está crescendo rapidamente em economias emergentes como o Brasil, Índia e China”.

A FutureLearn é parte do movimento dos chamados “Moocs” – do inglês massive open on-line courses, ou cursos on-line abertos de amplo alcance. No último ano, universidades vêm se movimentando para oferecer material didático gratuito por meio de umas poucas plataformas Moocs nos Estados Unidos – especialmente a Coursera, a EdEx e a Udacity. O envolvimento próximo da OU na FutureLearn é visto como significativo dentro do setor, pois ela tem muita experiência no ensino a distância. Mike Boxall, especialista em ensino superior da consultoria PA Consulting, diz que a instituição era um “gigante adormecido”.

Para Eric Thomas, vice-presidente da Bristol, uma das instituições associadas, Martin Bean é um expoente brilhante desse tipo de ensino. “A OU tem a ferramenta e o conhecimento, portanto, sabemos que temos o melhor dos parceiros”. O professor Bean, por sua vez, diz que a OU vai “alavancar” sua experiência acadêmica a distância com a nova plataforma Mooc, mas afirma que haverá “uma clara diferenciação entre esses dois mundos”. Os cursos da FutureLearn não irão conferir créditos para graduação.

O modelo de negócios utilizado pela FutureLearn é baseado na atração dos estudantes que gostam de um Mooc para os cursos a distância pagos. A OU já oferece muito material didático de graça, característica que já atrai 400 mil visitantes por mês. Ela tem 1 milhão de assinantes de seu produto no iTunes U, a seção da loja de música da Apple na internet dedicada às universidades.

Recentemente a OU disponibilizou um curso grátis oferecido junto com o documentário “Planeta Gelado” da BBC, sobre as regiões de clima frio do planeta. “Reunimos milhares de pessoas e um bom número delas era formado por estudantes de ciências que pagaram pelo acesso”, diz Bean. A OU cobra 1.250 libras por um curso que levaria um semestre para ser concluído por um estudante em período integral.

As universidades gostam de enfatizar que os Moocs vão melhorar sua capacidade de fornecer conteúdo. “Tudo envolve a exploração do interesse no aprendizado social e como os estudantes aprendem”, diz Janice Kay, vice-presidente adjunta da Exeter.

Já existem exemplos de universidades que estão mudando seus métodos de ensino com o uso de Moocs de outras instituições: um professor de ciências da computação da Vanderbilt University do Tennessee já escreveu sobre o uso do material de Stanford. Karan Khemka, sócio e diretor de ensino internacional do Parthenon Group, traça uma analogia com as escolas: “Vemos professores ensinando conteúdo digital para melhorar o que já está disponível para os alunos. Os professores não estão sendo substituídos”, ressalta.

Para o professor Bean, os Moocs representam a “democratização” do conteúdo. “Não acredito que as instituições de ensino superior vão se destacar mantendo seus conteúdos fechados. Elas vão se definir pela qualidade de seu ensino”, analisa. Um dos maiores desafios ao atual esforço on-line é se os Moocs chegarão a ser uma fonte de receita importante para as universidades, ou se representarão apenas uma ruptura custosa.

As ideias de modelos de negócios em circulação incluem a transmissão gratuita dos cursos, mas as escolas ganham dinheiro com taxas por serviços extras, monitoramento, certificados de conclusão de curso com a marca de uma universidade ou com a realização de exames com fiscalização.

Todas essas propostas apareceram em uma lista de potenciais “estratégias de monetização” nos termos de um acordo firmado entre a Coursera, uma das maiores plataformas Mooc, e a Universidade de Michigan, obtidos pelo jornal “Chronicle of Higher Education”. Elas também sugerem cobrar dos empregadores o direito de se apresentarem aos estudantes mais bem-sucedidos.

Mike Boxall, da PA Consulting, sugere que as universidades deveriam pensar nas plataformas on-line como algo mais parecido com o Google, dando todos aqueles produtos fabulosos para formar uma base de usuários valiosa- e não com um site de venda de ensino a distância.

“Você tem esse público enorme de pessoas engajadas, juntamente com as marcas, áreas de interesse e mídias sociais, e você está em contato com elas durante muitas horas todos os dias. Qualquer plataforma de marketing seria capaz de tudo para ter isso”. A FutureLearn tem uma postura diferente: ela espera “conduzir” os estudantes para cursos pagos oferecidos pelas instituições associadas. A Open University já usa este modelo, empregando cursos gratuitos para atrair potenciais estudantes universitários.

Martin Bean, da OU, diz que seria bom ter “o melhor do Reino Unido diante de um grupo de estudantes do mundo todo que de outra forma jamais seria alcançado.”

Fonte: Valor Econômico.

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