Brasil e França fecham acordos em computação, satélites e intercâmbio

Os presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da França, François Hollande, fortaleceram a cooperação bilateral entre os países nesta quinta-feira (12). No Palácio do Planalto, os governos assinaram acordos que envolvem a instalação de uma infraestrutura de computação de alto desempenho, a transferência de tecnologia para o satélite geoestacionário de defesa e comunicações estratégicas e novas ações do programa Ciência sem Fronteiras.

Durante declaração à imprensa, a presidenta ressaltou o nível da parceria. “França e Brasil mantêm uma cooperação cujos conteúdos, abrangência e profundidade a tornam única”, afirmou. “Isso é verdadeiro, sobretudo, nas indústrias de defesa e de bens de alta tecnologia.”

O secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Antonio Elias, e a ministra francesa da Educação Superior e Pesquisa, Geneviève Fioraso, assinaram declaração de intenções com objetivo de criar uma infraestrutura de computação de alto desempenho no Brasil, capaz de colocar o país entre os líderes mundiais na área até o fim de 2016.

Dilma informou que o plano de trabalho estabelecido prevê a aquisição de um supercomputador da empresa francesa Bull e a instalação de dois centros de pesquisa, um em Petrópolis (RJ), em parceria com o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCTI), e outro no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe), na capital fluminense.

Pelo acordo, o governo brasileiro se compromete a fomentar em seu território produtos e serviços de supercomputação.  “Atualmente, apenas dez países detêm capacidade instalada nesse campo”, destacou Dilma. “Com a implementação desse plano de trabalho, o Brasil entrará para esse restrito grupo e vai desenvolver atividades de pesquisa em áreas estratégicas.”

Hollande também enfatizou a previsão de o país ingressar na elite mundial da supercomputação. “Ficamos muito satisfeitos com o fato de a Bull possibilitar essa capacidade, a ser criada nos centros de pesquisa”, disse. Além do LNCC, fazem parte da iniciativa pelo lado brasileiro a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/MCTI).

Satélite geoestacionário

O presidente substituto da Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTI), Petrônio de Souza, firmou memorando de entendimento acerca da transferência de tecnologia para a construção do satélite geoestacionário brasileiro, a cargo da empresa francesa Thales Alenia Space, representada por seu diretor-geral, Jean-Bernard Lévy. O governo havia escolhido a companhia em agosto.

Lévy também assinou o contrato referente ao desenvolvimento do satélite pela Thales, com o presidente da Visiona Tecnologia Espacial – sociedade entre a Embraer e a Telebrás –, Nelson Salgado, que também estabeleceu compromisso com o consórcio europeu Arienespace, responsável pelo lançamento em órbita. A tecnologia servirá para a comunicação do governo e para levar internet banda larga a municípios ainda não servidos pela Telebrás.

Segundo Souza, que também é diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB, “o acordo de transferência de tecnologia é uma parte essencial do processo de aquisição do satélite”. O trabalho deve envolver sistemas eletrônicos a bordo, estruturas de maior porte e aplicações de dados.

Intercâmbio acadêmico

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, fechou duas novas parcerias para o Ciência sem Fronteiras. O primeiro acordo promove a aprendizagem do idioma francês para estudantes e futuros participantes do programa. Já o outro acerto bilateral prevê a recepção pelo país europeu de alunos em ciclo de mestrado profissional, com 500 bolsas em 2014 e mais 500 em 2015. Também houve assinaturas em evento no Museu Nacional, à tarde.

“Expressei ao presidente Hollande meu reconhecimento pelo apoio que temos recebido de seu governo no programa”, declarou Dilma Rousseff. “A França é hoje o terceiro principal destino dos bolsistas brasileiros do Ciência sem Fronteiras e já recebeu 4,8 mil alunos, dos quais 2.226 ainda se encontram naquele país. São em sua maioria estudantes de engenharia, e merece destaque o esforço expressado no acordo entre os dois governos para que nossos alunos complementem sua formação com estágios técnicos em empresas francesas.”

Hollande recordou que o compromisso inicial do país europeu para o programa era acolher 10 mil estudantes em cinco anos. “Posso dizer que já são quase 6 mil [assegurados], mas queremos ir mais longe”, avisou. “Vamos também lançar o curso online Francês sem Fronteiras. Trata-se de divulgar amplamente a língua, à distância ou localmente. E hoje de manhã inaugurei em Brasília o futuro Liceu François Mitterrand, um exemplo do que podemos fazer.”

FONTE: MCTI

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