“Se uma empresa quer ser inovadora, ela deve ter um pé nos grandes centros de conhecimento”

Em evento realizado em São Paulo, a Mobilização Empresarial pela Inovação divulgou nesta segunda-feira o estudo “Melhores Práticas Empresariais para Inovar”, apresentado pela diretora de estudos e políticas setoriais de inovação, regulação e infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Fernanda de Negri

A Mobilização Empresarial pela Inovação divulgou no dia 19/09/16 (segunda-feira), o estudo “Melhores Práticas Empresariais para Inovar” em encontro realizado no Laboratório Ocean da Poli-USP, em São Paulo. O estudo busca compreender como as empresas fazem gestão de processos de inovação, com novas ferramentas e informações e desenha um painel de práticas empresariais para inovar.

Participaram do evento o presidente do Conselho de Administração da Embrapii, Pedro Wongtschowski, a diretora de estudos e políticas setoriais de inovação, regulação e infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fernanda de Negri, a diretora de relações institucionais e regulação da Samsung, Simone Scholze, e a gerente de pesquisa e desenvolvimento da Oxiteno, Nádia Armelin.

Fernanda de Negri é coautora do estudo apresentado, que fez uma comparação entre empresas brasileiras e empresas localizadas na região de Boston, nos Estados Unidos. Segundo ela, faltam empresas no Brasil, de capital nacional, com esse perfil inovador, e, além disso, as empresas brasileiras estudadas têm estratégias diferentes das internacionais. “Fizemos entrevistas com especialistas em gestão de inovação, tentando ir além de estudos de casos, para ver como as empresas gerenciam seus processos de inovação, como se definem as estratégias”, conta.

De Negri enfatizou que o objetivo desse estudo foi investigar a centralidade da inovação nas empresas – se as empresas tendem a desenvolver tecnologias internamente ou se contratam de fora.

Avaliação de portfólios

Para este estudo, foram analisados os portfólios de P&D de empresas como IBM, MIT Solve, Mahle, Novartis, Google, Y Combinator e Sanofi Bioventures, onde foi possível observar como as empresas avaliam seus projetos de pesquisa e desenvolvimento, que tipo de incentivos colocam em prática,  que estratégias de inovação utilizam, especialmente as chamadasventure capital.

Uma das observações do estudo é que as empresas, geralmente, utilizam métodos de pesquisa mais informais, misturando entrevistas e desenhos de cenários, construindo métodos próprios de prospecção tecnológica. Negri destaca que enquanto as empresas americanas baseiam fortemente suas prospecções em métodos computacionais, no Brasil esses métodos ainda são pouco utilizados.

“Pela avaliação desses portfólios, a tendência que verificamos é a de cada vez mais utilizar informação para quantificar o projeto de P&D. Dessa forma, apesar das incertezas inerentes ao processo inovativo, as empresas têm algum número para comparar seus diversos projetos”, comenta.

Negri conta que os métodos econômicos mais utilizados são os de custo e risco. “De modo geral, as empresas têm um bom projeto de avaliação de P&D, de modo a ter um portfólio não muito arrojado e nem muito conservador”.

Venture Capital

Negri destacou também a grande disponibilidade de conhecimento já produzido nos centros de pesquisa, e uma tendência crescente – especialmente nos países desenvolvidos – é a grande empresa investir em startups incubadas nesses centros. Ela citou o exemplo da Sanofi Bioventures, em Boston, que instalou um centro no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). “Basicamente, as boas ideias vêm até eles”, comenta Negri. “Se uma empresa quer ser inovadora, ela deve ter um pé nos grandes centros de conhecimento”, acrescentou.

Segundo o documento, a aquisição de empresas para a compra de tecnologia é um fenômeno já frequente entre empresas norte-americanas, mas ainda pouco comum no Brasil. É uma estratégia que exige certo grau de internacionalização, “uma vez que pressupõe a prospecção de tecnologias críticas no exterior e o estabelecimento de bases produtivas ou ‘antenas tecnológicas’, próximas dos grandes centros de geração de tecnologias”, destaca o estudo.

“É uma estratégia com potencial para crescer no Brasil, mas ainda temos muitas barreiras burocráticas e regulatórias”, lamentou.

Estudos de caso

A gerente de pesquisa e desenvolvimento da Oxiteno, Nádia Armelin, apresentou a estratégia que a empresa desenvolve, que faz um “mix” entre inovação e aumento de produtividade. Com isso, garante investimentos em curto prazo, até a implementação do novo ciclo de produção.

Já a diretora de relações institucionais e regulação da Samsung, Simone Scholze, analisa que o Brasil possui uma maneira diferente de organizar a P&D do restante do mundo, muito mais focada na área administrativa.

Segundo ela, as universidades brasileiras não preparam os estudantes e pesquisadores para atuar no setor produtivo. Ela ainda observou que existe uma grande distância entre a formação acadêmica e o mercado de trabalho. Um exemplo é Manaus, que possui leis de apoio à indústria de eletroeletrônica, é um polo produtor, mas não possui sequer um curso de doutorado na área de engenharia elétrica. “Firmamos uma parceria com a UFAM (Universidade Federal do Amazonas) para criar esse curso em breve”, contou.


Fonte: Jornal da Ciência / Por: Daniela Klebis – Jornal da Ciência.

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