Brasil necessita de educação alinhada ao avanço tecnológico, avaliam especialistas

Em debate no Senado, especialistas criticam modelo educacional brasileiro - Foto: EBC
Em debate no Senado, especialistas criticam modelo educacional brasileiro – Foto: EBC

Os desafios para o desenvolvimento da educação brasileira nos próximos anos foram debatidos nesta sexta-feira (9), no Senado Federal, durante o evento Congresso do Futuro.

Na palestra “Educação, Ciência e Inovação do Futuro”, especialistas concordaram que o sistema de ensino do Brasil precisa de uma reformulação em toda sua estrutura, com os avanços tecnológicos da 4ª revolução industrial levados para dentro da sala de aula.

“É preciso pensar uma nova educação. Uma educação 3.0 que seja capaz de dar solução aos dilemas. No Brasil, hoje, temos uma escola do século 19, professores do século 20 e alunos do século 21. Isso não vai dar certo. Precisamos mudar e avançar, incluindo novas tecnologias no processo de aprendizado”, alertou o diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Luchesi.

Conforme os dados apresentados pelo diretor, 98% das escolas brasileiras tem equipamento de informática, mas menos de 5% as utilizam em sala de aula. O País investe R$ 6 bilhões por ano em educação, mas não consegue ter o retorno esperado, a exemplo do Ensino para Jovens e Adultos (EJA), que mostrou um índice de apenas 9% de concluintes. Além disso, somente 17% dos jovens brasileiros vão para universidade.

O panorama geral refletiu nos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que classificou recentemente o Brasil em 63ª posição em ciências, 59ª em leitura e 66ª colocação em matemática, entre 70 países. Apenas na área de ciências, a média do Brasil foi de 401 pontos, bem abaixo da média de 493 dos países que integram a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“Temos que refletir que a escola não mudou, mesmo com a 4ª revolução industrial batendo na porta. É preciso pensar em sala de aula invertida, gameficação. A juventude brasileira acha a escola chata. E ela é chata e de má qualidade. Todos os indicadores revelam isso. O Brasil precisa discutir uma escola que esteja alinhada com o futuro que queremos dar ao País”, afirmou.

Na visão do pesquisador e coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília (UnB), Isaac Roitman, vários segmentos do sistema educacional precisam ser reestruturados, para o Brasil acompanhar os avanços tecnológicos e melhorar a educação. Isso inclui, por exemplo, trocar o modelo de aulas expositivas por aulas mais dinâmicas, que envolvam  desde o uso de smartphones a realidade virtual.

“A pedagogia deve ser contemporânea e compatível com os avanços das tecnologias de informação e comunicação [TICs]. Teremos que eliminar gradativamente a aula expositiva, que era legítima no século 19, onde o professor era a fonte de conhecimento do estudante. Agora é diferente. O aluno hoje tem o conhecimento no bolso com o telefone celular”, ponderou.

Iniciação científica

Para Roitman, além do ensino fundamental e médio, uma reformulação também é necessária nos incentivos do governo que atendem as universidades. Uma possibilidade seria fazer uma expansão dos programas de iniciação científica para as instituições federais do setor de ensino.

“Esse é um dos melhores programas do planeta. Nós temos atualmente 100 mil universitários fazendo iniciação científica no Brasil, metade deles com bolsas de estudos. Precisamos pensar na pedagogia da universidade ser uma grande iniciação científica, que parte de perguntas sem respostas e o estudante vai atrás delas. Nesse processo eles aprendem e exercem suas habilidades criativas, de imaginação, etc”, sugeriu.

Outro desafio diz respeito a pós-graduação. “Produzimos cerca de 15 mil doutores por ano no Brasil, que não são absorvidos nem nas universidades nem nas empresas. É preciso fazer um planejamento dessas demandas para o futuro. A flexibilidade precisa ocorrer com maior frequência nos cursos de pós-graduação, com um espaço para formação das lideranças e incutir responsabilidade social nos nossos estudantes”, comentou.


Fonte: Agência Gestão CT&I / ABIPTI

Por: Leandro Cipriano

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