Quarta revolução industrial pode ser caminho para preservar Amazônia

Climatologista defende bioindústria forte como melhor forma de preservar a Amazônia - Foto: Divulgação/ Internet
Climatologista defende bioindústria forte como melhor forma de preservar a Amazônia – Foto: Divulgação/Internet

Nos mais de 50 anos de exploração da Amazônia, que ocupa 47% do território brasileiro, a expansão da agropecuária e ocupação desordenada já desmataram 20% da floresta. Nesse ritmo, intensificado pelos efeitos das mudanças climáticas, até 2050 é prevista uma redução de aproximadamente 50% da vegetação.

De acordo com estudos publicados por climatologistas, se mais de 40% da floresta for destruída e a temperatura na região crescer mais que 4ºC, grandes extensões de mata se transformarão em uma savana empobrecida.

A situação emergencial da maior floresta tropical do planeta inspirou um grupo de cientistas a transformar a Amazônia em um polo de inovação tecnológica em grande escala, impulsionada pela 4ª revolução industrial – também chamada de Manufatura Avançada. O objetivo é produzir serviços inovadores na extração de matérias primas com tecnologias digitais e biológicas para preservar toda a biodiversidade da região.

Os cientistas foram liderados pelo climatologista Carlos Nobre, vencedor do Volvo Environment Prize – um dos principais prêmios internacionais sobre clima – e membro do Conselho Científico sobre Sustentabilidade Global da Organização das Nações Unidas (ONU). Em palestra realizada nesta quinta-feira (8) no Senado, no evento Congresso do Futuro, Nobre propôs um novo modelo de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, chamado de “terceira via”.

“A terceira via é fugir dos dois modelos que vem permeando as políticas de desenvolvimento regional na Amazônia, que é a conservação pura da floresta versus transformá-la em áreas agrícolas, principalmente commodities e pecuária”, comentou Nobre. “A Amazônia tem 10% da biodiversidade do planeta. Em vez de olhá-la como produtora de grãos, de carne, a ideia é aproveitar esse potencial da biodiversidade, com a floresta em pé, que tem um valor econômico imenso, e criar um novo modelo com as ferramentas da 4ª revolução industrial”.

Segundo Nobre, ao combinar as técnicas digitais de automação 4.0, com as tecnologias desenvolvidas na área biológica, como de edição genética, além da nanotecnologia, “se consegue penetrar profundamente no entendimento das espécies que compõem a biodiversidade amazônica”. Desvendar como organismos e plantas se comportam e percebem o ambiente, por exemplo, pode contribuir para a criação de novos produtos, sensores e máquinas.

“Uma vez que isso é feito, quanto mais a biologia das espécies nos ensina, mais aplicações vamos ter, e mais é necessário manter as espécies para aprendermos. É um fenômeno que se realimenta, e com alguns dos poucos exemplos que temos, eles ensejam uma possibilidade de uma economia muito vigorosa”, informou o cientista.

Um desses exemplos é a indústria do açaí, oriundo da Amazônia, que não existia há cerca de 15 anos no mercado global. De acordo com o climatologista, atualmente o setor rende cerca de US$ 2 bilhões por ano. Outro exemplo é da árvore ucuuba, que tinha sua madeira extraída e vendida apenas para fazer vassouras. Contudo, o setor de cosméticos descobriu que o óleo proveniente de suas sementes traz benefícios para a pele. Agora, uma árvore de uucuba rende três vezes mais por ano do que se fosse cortada e vendida para fábrica de vassouras.

“A Amazônia tem que ser vista como um enorme reservatório de conhecimento biológico e muito desse conhecimento pode gerar aplicações, de uma forma contínua. Há vários estudos de potencial econômico que mostram que só com tecnologias intermediárias, como da ucuuba, poderia haver uma economia na Amazônia de uns US$ 20 bilhões”, projetou Nobre.

Bioindústria e educação

Na visão do cientista, o sucesso desse modelo depende de uma bioindústria forte na Amazônia, que funcione como expoente de inovação tecnológica e atraia mais investimentos e empresas para o local. “Não se pode cair na armadilha da Amazônia apenas exportar materiais do Brasil. Ela deve ter uma bioindústria forte, gerando os empregos do futuro. Para isso, depende de ciência, tecnologia e inovação, e de um setor industrial forte”.

Outro ponto fundamental para Carlos Nobre é a necessidade de fortalecer a educação na região. Atualmente, apenas 2% dos doutores formados anualmente no Brasil vêm de universidade amazônicas. Ao mesmo tempo, a Amazônia é o lar de cerca de 2,7 milhões de indígenas. “Não se faz pesquisa de qualidade sem pesquisadores preparados. A educação é a base de tudo”, lembrou o cientista.


Fonte: Agência Gestão CT&I / ABIPTI

Por: Leandro Cipriano

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